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O Pescador

O sentido próprio da palavra "Semear" PDF Imprimir E-mail
Sex, 29 de Junho de 2012 23:39

semeador02Há perfeita correspondência entre o sentido figurado e o sentido próprio da palavra semear. Deus deu à terra o poder de produzir uma vegetação capaz de se reproduzir, de "semear uma semente" (Gn 1,11s.29). Ele abençoa a sementeira do justo com o cêntuplo (Gn 26,12) ou, pelo contrário, decepciona a expectativa dos maus (Is 5,10; Mi 6,15), que "semearam trigo" e "colhem sarças" (Jr 12,13; cf. Gn 3,18). Com efeito, se Deus abençoa a semeadura, cabe ao homem semeá-la. "Te afadigarás algum tempo em cultivá-la, mas bem depressa comerás de seus produtos" (Si 6,19). Essa responsabilidade se estende à escolha da semente e do  terreno.  Pois "colhe-se  o  que  se  semeou"

Semeando a injustiça ou a iniquidade, pode-se colher sete vezes mais desgraça (Pv 22,8; Jó 4,8; Si 7,3); "quem semeia ventos colhe tempestades" (Os 8,7). Em vez de semear na carne, temos que semear no espírito (Gn 6,8), — não entre espinhos (Jr 4,3) e sim na paz (Tg 3,18) e na justiça (Os 10,12; Pv 11,18).

Se é verdade que o trabalhador deve ter sua parte do produto (1Co 9,10) e que o ideal é colher o que se semeou, muitas vezes continua válido o provérbio: "Um semeia, outro colhe" (Jo 4,37). O semeador deve portanto ter confiança na terra fecunda, esperar na água do céu, sem pretender subjugar esses elementos. Que ele portanto semeie sem ficar observando o vento (Ecs 11,4), senão acabará não fazendo nada. A menor das sementes pode tornar-se uma grande árvore (Mc 4,31s), o grão fecundo produz até cem por um (Mt 13,8 p). Agente ativo na semeadura, o homem não deve esquecer que, uma vez lançada à terra, "a semente germina e cresce por si só " (Mc 4,27).

Essa confiança dá a coragem de enterrar a semente no solo, de deixá-la morrer para que produza fruto (Jo 12,24); aquele que leva a semente "parte chorando", mas sabe que "haverá de cantar voltando carregado de gavelas" Enfim, se o grão tem que morrer a fim de retomar vida (1Co 15,36), o mesmo se dá com o homem mortal que tem que  ressuscitar: "Semeia-se corrupção, ressuscita incorrupção... semeia-se um corpo psíquico, ressuscita um corpo espiritual" (15,42ss): confiado à terra, o corpo ressuscitará na glória de Cristo.

O Criador, cujos atos poderiam ser comparados aos do semeador, não é contudo apresentado sob os traços do Semeador senão em contexto escatológico. Sabendo que o Filho é a Palavra de Deus e ao mesmo tempo o Germe divino, o cristão pode ver em Deus aquele que semeia sua Palavra no coração dos homens e que semeia na terra o Germe, sua verdadeira   descendência.

Deus abençoa Adão tornando-o fecundo. O termo "semente"  serve para designar a posteridade, a descendência,   a   linhagem,   a   raça.   Desde   as origens contrapõe-se, à semente do homem que se transmite nas gerações, a linhagem que vencerá a serpente (Gn 3,15). Essa vitória será realizada por Jesus, rebento oriundo do cruzamento das duas linhagens: Filho de Deus, filho de Adão, de Abraão e de Davi.

Ora, quer se trate da semente de Abraão ou da de Davi, a infidelidade do povo e de seus reis obriga Deus a retirar a sua bênção. A árvore de Jessé deve ser cortada, mas de sua cepa germinará então uma "semente santa" (Is 6,13). Porque Deus será de novo o Semeador (Os 2,25; Jr 31,27) que repovoará Judá, raça malfazeja (Is 1,4) dizimada pelo "castigo. Mais precisamente, esta semente se concentrará num germe, que se torna um dos nomes do Messias. "Eis um homem cujo nome é Germe; onde ele está, algo germinará; ele   reconstruirá  o   santuário"   (Zc 6,12s).

Já o Consolador de Israel anunciava a ação eficaz da Palavra divina comparando-a a chuva que torna fecunda a semente (Is 55,10s). Anunciando a parábola do Semeador, Jesus conecta o dever de dar fruto não com a  messe, mas com a semeadura; Ele faz assim uma retrospectiva sobre a inauguração dos últimos tempos (cf. Os 2,25) que tem lugar no momento em que ele fala. Essa é a história vivida do encontro escatológico entre o Germe divino e o povo de Deus. Se é preciso ser uma terra boa, é porque a semente é lançada com a própria palavra de Jesus. Então, que lindo resultado! E contudo, ao lado da boa semente semeada pelo Filho do Homem, há também o joio que o Maligno semeia   (Mt   13,24-30.36-43).

Essa Palavra é Cristo em pessoa, que quis morrer na terra a fim de dar fruto (Jo 12,24.32). E a Igreja reconheceu sua própria história através das parábolas de Jesus. Ela fortaleceu sua fé pressentindo, através dos humildes inícios do reino dos céus, a glória final: o grão de mostarda se torna uma grande árvore (Mt 13,31s; cf. Ez 17,23; Dl 4,7-19), de acordo com a promessa outrora feita a Abraão de uma "semente" inumerável como as estrelas do céu. Enfim a Igreja, "semente" de Jesus (Ap 12,17), resiste vitoriosamente ao dragão, porque Cristo permanece nela (1J 3,9).

Última atualização em Ter, 03 de Julho de 2012 15:53