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As Grandes Tradições Religiosas PDF Imprimir E-mail
Qui, 23 de Junho de 2011 16:27

AS GRANDES TRADIÇÕES RELIGIOSAS

 

José Lopes da Silva[1]

 

 

RESUMO

 

O objetivo deste artigo foi discorrer sobre as grandes tradições religiosas, abrangendo seis religiões em função da "imagem" de Deus/Divino de cada uma dessas crenças, o ideal humano/realização humana e como a Tradição entende a realização/religião entre o humano e o Divino. Assim, foi abordado sobre as seguintes religiões: catolicismo, xintoismo, judaísmo, islamismo, budismo e hinduismo, mostrando um pouco de cada tradição religiosa. Por fim, concluiu-se que independente do caminho que se toma a essência das religiões, qualquer uma delas, é a resposta para a vida e para esta após a morte. Em todas as tradições religiosas estudadas, a procura do indivíduo não difere em questionamentos, mas, sim, em comportamentos e o que adquirem com a prática deste.

Palavras-chave: tradição; religião; crenças.

 

INTRODUÇÃO

 

A palavra "religião", é um termo conceituadamente complexo, e ao se aceitar que religião vem do latim religare, cujo significado é "religar", define-se que religião é o meio de religar o homem a Deus.

Ela é uma crença que estabelece a existência de algo infinitamente superior, envolto em mistérios indecifráveis, porém é indicadora de um caminho para seus fiéis, independentemente da religião que estes professem.

A maioria das religiões baseia-se em Livros Sagrados, cada uma com o seu, transmitindo valores e revelações divinas, inclusive, predições sobre o futuro da própria humanidade.

Segundo Hellern et al (2000, p. 2): "Cada uma a seu modo, todas as religiões exaltam a compaixão, fraternidade universal, a sinceridade e a honestidade, (...) valores incontestáveis que ninguém quer ver desaparecer".

Morim (2008,13) analisa, que no mundo: "De cada 100 pessoas 19 são muçulmanas, 18 não têm religião ou são atéias, 17 são católicas, 17 são cristãs não-católicas (ortodoxos, anglicanos, protestantes), 14 são hinduístas e 6 são budistas".

Assim, o objetivo deste artigo é discorrer sobre as grandes tradições religiosas, abrangendo seis religiões em função da "imagem" de Deus/Divino de cada uma dessas crenças, o ideal humano/realização humana e como a Tradição entende a realização/religião entre o humano e o Divino.

Para tanto, em seis tópicos, serão abordadas as religiões: Catolicismo, Xintoísmo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo, estabelecendo em seus discursos os itens do objetivo deste artigo, já acima apurado.

 

1. CATOLICISMO

 

A base existencial da Igreja Católica é o Cristianismo, uma religião monoteísta, que estabelece em grau primeiro e único a comunhão do fiel com Deus, através do Seu Filho Jesus Cristo.

O catolicismo prega o cristianismo, através dos ensinamentos de Jesus Cristo, o qual morreu crucificado em meio a tormentos desumanos para salvar a humanidade de seus pecados, se alcança o caminho para Deus Pai, o caminho para a vida eterna.

A estrutura fundamental do catolicismo é baseada em paróquias, dioceses e arquidioceses, as quais obedecem ao Vaticano, órgão supremo da Igreja e dirigido pelo Papa, Pontífice máximo.

Hierarquicamente subordinado ao Papa estão os cardeais, arcebispos, bispos, padres e o restante da congregação católica.

A crença da Igreja Católica é difundida através de sua liturgia, a qual estabelece a comunhão espiritual do homem com Deus, no simbolismo dos sete sacramentos: o batismo, a crisma, a eucaristia, a confissão, a ordem, o matrimônio e a extrema-unção.

Seu livro sagrado é a Bíblia, composta pelo Antigo e Novo Testamento, sendo este último referente ao Novo Pacto entre Deus e os homens, ocorrido somente após a morte de Jesus Cristo.

Através da missa, principal evento de adoração e purificação, reza-se e comunga a Palavra de Deus, celebra-se a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, assim como o milagre da transubstanciação do pão e vinho, os quais se transformam no corpo e no sangue de Jesus, doados para a salvação da Humanidade.

O Deus no catolicismo é um ser Divino, Infinitamente Perfeito, Único, Pura Bondade, capaz de perdoa o pecador contrito. É o Deus Onisciente, Onipresente, Onipotente, cuja Imagem é trina, correspondendo ao Pai, Filho e Espírito Santo. Pois Deus, enviou seu próprio Filho à morte para limpar os pecados da Humanidade, por simples Amor ao Homem.

A partir de então, a origem da Igreja Católica foi estabelecida ao Novo Pacto, à morte de Jesus Cristo, Filho de Deus, para a salvação da Humanidade, divulgada por todos os apóstolos.

Hellern et al (2000, p. 199) diferenciam: "Evidentemente, a Tradição não é a transferência mecânica do legado oral deixado pelos apóstolos, e sim o desenvolvimento constante do potencial que existe no evangelho".

O catolicismo defende a vida após a morte, o céu, o purgatório e o inferno, cuja ida do fiel a um destes lugares depende diretamente do seu comportamento terreno, ou seja, do tipo de vida e opções que teve enquanto viveu como humano na Terra. E para tanto, haverá um Julgamento, no Dia do Juízo Final, onde bons e maus, joio e trigo, serão separados para que seus destinos sejam determinados.

Para o fiel católico, Deus, o Criador de tudo, Ser Pessoal, criou a alma humana no momento da geração, sendo o homem, portanto, uma composição substancial de corpo e alma, feito, porém, à Sua Imagem e Semelhança.

O Deus Divino da Igreja Católica pode e faz milagres e inspirou os livros da Sagrada Escritura, para que estes cheguem a todos os homens em todos os tempos, levando Suas Leis, Seus Estatutos, Preceitos e Mandamentos, os quais formam a base estrutural de uma vida harmoniosa entre os irmãos, cuja conduta será avaliada para o Dia do Julgamento.

Atualmente, a população mundial é composta de 6 bilhões de habitantes, deste total, 1/3 são de cristãos e mesmo em meio a 10.000 seitas e 2.000 outras religiões existentes no planeta, 60% são de cristãos católicos.

 

2. XINTOÍSMO

 

Xintoísmo, denominado também kami-no-michi em seu termo nativo, é a única religião designadamente japonesa.

Esta religião não conta com códigos de leis, filosofia, profetas ou livro sagrado, sendo por isto mesmo entendida como Fisolofia por alguns estudiosos.

Os textos sagrados do Xintoísmo são o Nihon Shoki, o qual é composto de narrativas do Japão do ano 720 d. C., e o Kojiki, o qual contém os registros dos anciões mestres xintoístas.

Por ser panteísta, volta-se à adoração de muitos deuses, os quais são associados com os elementos da natureza, como o vento, a água, as pedras e a montanha, todos vertidos de uma mesma fonte e por isto mesmo coexistindo em perfeita harmonia.

Hellern et al (2000,89) ressaltam que o culto aos espíritos naturais e ancestrais, sempre foi fundamental para o xintoismo e que o culto aos antepassados foi difundido sob a influência do confucionismo chinês.

E devido a esta integração vital, onde a natureza é tida como parceira e amiga, o xintô acredita que sua sobrevivência depende exclusivamente deste entendimento.

Quanto ao mal que o fiel possa praticar, isto é devido à inflência YOMI, o qual abarca as entidades malignas.

Quando o xintô insiste em praticar a maldade, ele item como caminho o inferno, de onde poderá incorporar um YOMI.

O xintô enxerga o pecado como uma marca temporária, que pode ser aliviada pela purificação., uma vez que a pureza leva o homem ao estado da iluminação.O sacerdote xintoísta pode ser de ambos os sexos, homem ou mulher, mas na maioria das vezes, são lidere locais. Conforme Hellern et al (2000, 91), nos dias de hoje, os sacerdostes em tempo integral ou parcial são nomeados pelos organizadores dos templos e a maioria é chefe de família.

Nos dias de hoje o Xintoísmo não é mais designado como religião oficial, porém convive com o Budismo, Cristianismo e outras religiões, de uma maneira pacífica e harmônica.

 

3. JUDAISMO

 

O judaísmo é a religião monoteísta com o menor número de adeptos no mundo, cerca de 12 a 15 milhões.

Os judeus crêem em YHWH (Jeová), o Criador do universo, e assim como no cristianismo, é Onipresente, Onipotente e Onisciente.

Para o judeu Deus é um e isto é refletido em toda sua existência, com o fiel cumprindo todos os seus deveres com Deus e seus semelhantes, absorvendo o ensinamento secular do próprio Deus e respeitando seus mandamentos como demonstração de respeito e amor por seu Criador.

Os judeus não diferenciam a ética e religião de sua doutrina, uma vez que tudo é pertencente à Lei de Deus.

O Deus do judaísmo tem um relacionamento especial com seu povo e o livro sagrado do judaísmo é a Bíblia Judaica, equivalente ao Antigo Testamento, porém organizada de uma forma diferente..

Hellern et al (2000) apontam: "As narrativas da Bíblia se baseiam numa crença bem definida de que Deus fez uma aliança especial, um pacto com seu povo escolhido, o povo hebreu".

Para tanto, ainda em criança, o menino judeu é circuncidado confirmando assim a marca da Antiga Aliança entre Deus e todos os descendentes de Abraão.

A importância da vida humana para o judeu, sobrepuja a tudo, e uma vida humana deve ser salva mesmo que quebre as leis do Shabat para que isto ocorra.

Quanto à idolatria, no judaísmo, isto é considerado o mais mortal de todos os pecados, não se permitindo de espécie alguma a adoração de ídolos e imagens, conforme a imposição do próprio Deus.

 

4. ISLAMISMO

 

Considerada atualmente a segunda maior religião do mundo, o islamismo é uma doutrina monoteísta, fundada pelo profeta Maomé, o qual teve durante a vida, revelações Divinas através do anjo Gabriel, sobre a origem do homem, do universo e da sua relação com Deus, sendo estas descritas no Alcorão, o livro sagrado desta religião.

Esta doutrina denominada islâmica é também chamada de muçulmana ou maometana e tem como regras principais, a crença em Alá, a pratica de cinco orações diárias, a generosidade com os mais carentes, a obediência ao Ramadã, o jejum religioso anual e a peregrinação a Meca, de pelo menos uma vez na vida.

A própria palavra islã designa a submissão do homem aos preceitos e à vontade de Alá, por isto seus seguidores são denominados muçulmanos, significado para aqueles que se submetem a Deus.

Na Sharia, lei islâmica são determinados todos os princípios e normas relacionados ao comportamento, conduta, alimentação e testemunho de vida, assim como também o de guerrear na guerra santa, chamada Jihad, a favor da reforma do mundo, uma vez que o objetivo do Islamismo é o subjugo de todo o mundo, perante suas leis, mesmo que para isso necessite chegar a extremos como matar e destruir os "infiéis ou incrédulos" tais como judeus e cristãos.

Hellern et al (2000, p. 127) conferem:

Como religião, o islã não compreende apenas a esfera espiritual, mas todos os aspectos da vida humana e social. A interpretação da lei, o direito, sempre ocupou um lugar relevante na história do islã. Na maioria dos países islâmicos, os que têm conhecimentos jurídicos costumam atuar como líderes religiosos. Não existe um sacerdócio organizado.

 

5. BUDISMO

 

Siddharta Gautama, o Buda, era um príncipe que, em busca de uma solução para o que afligia seu coração, o sofrimento humano, abandonou sua família e para ir em busca de busca de uma resposta.

A partir de então, tornou-se Buda, o iluminado, cuja doutrina budista, tem como principal conceito de que as resposta do homem encontram-se em seu interior.

Para o budismo o ser humano é uma combinação de matéria e mente, onde no corpo, encontram-se os quatro componentes: terra, água, calor e ar e na mente, a combinação de sensação, percepção, idéia e consciência.

O corpo físico enfrenta o ciclo de formação, duração, deterioração e cessação, ou seja, um ciclo contínuo de morte e renascimento, por um número ilimitado de vidas, até alcançar a iluminação.

Dentro deste ciclo contínuo de vida, existem seis tipos de existência: Devas (deuses), Asuras (semideuses), Humanos, Animais, Pretas (espíritos famintos) e Seres do Inferno.

O tipo de reencarnação varia de ser para ser, determinado por todos os atos cometidos por este durante sua passagem terrena, ou seja, o seu Karma (lei de causa e efeito) determinará que tipo de existência o ser tenha ao reencarnar na Terra.

Ao se inteirar desta lei, o ser passa a vigiar os próprios passo em relação às suas ações no dia-a dia, e em relação ao seu próximo.

Tanto no budismo, como no hinduísmo existe uma identidade complementar entre o indivíduo e a divindade, ou o espírito universal.

Hellern et al (2000,37) afirmam que "o encontro do místico com a divindade ocorre como uma relação eueu", uma vez que Deus existe em tudo, é uma realidade imanente e não apenas a "mera centelha na alma do homem".

O Budismo não tem um Deus Criador, assim como também não tem um livro sagrado, Buda não deixou nada escrito, porém após sua morte, seus discípulos se reuniram e relataram de memória as suas palavras.

Então nasceu o Tripitaka, que significa "três cestas", numa referência às três partes do livro: o "Vinaya", com as regras de conduta, o "Sutta", que reúne os discursos de Buda, e o "Abhidhamma", com investigações filosóficas sobre o homem e sua matéria.

Seus ensinamentos são: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a própria mente, objetivando o fim do ciclo de sofrimento, denominado Samsara, descobrindo assim o entendimento da realidade última, o desejado Nirvana.

 

6. HINDUISMO

 

O hinduismo é a terceira maior religião e é tida como a mais velha do mundo. Esta religião engloba textos, sobre os quais se baseia: os Vedas, os Puranas, o Mahabharata e o Ramayama.

Apesar de abarcar tradições e crenças de diferentes povos, o hinduismo foi adaptado e divido em três fases e na sua última fase observa-se que há influencia de outras religiões, como o cristianismo e o islamismo vertendo daí, o Hinduísmo Híbrido.

O hinduismo dos dias atuais é uma religião voltada para a salvação individual e do perder-se na divindade.

Para o hindu, assim como para o budista, a lei do Karma, baseada em ações praticadas na Terra, determinará o trajeto da alma, uma vez que as escrituras sagradas do hinduísmo, chamadas Upanishad e Bhagavad-Gita, acenam para as raízes da condição carnal humana: ignorância, desejo e egoísmo, adquiridos de encarnações anteriores, onde, na renúncia de tais condições, estaria a única solução para a salvação da alma.

Hellern et al (2000, 316) apontam que "A idéia da evolução dos espíritos regida pela lei do carma (do sânscrito karmam) aparece nas grandes religiões do Oriente, mas é particularmente marcante no hinduísmo".

O hindu acredita que os seres humanos ainda se encontram em evolução, seu tempo não está limitado apenas a uma encarnação, mas sucessivamente as vidas passadas são a causa primordial para a atual situação do indivíduo na Terra.

Observa-se que, até a alimentação é um importante princípio, pois não se deve consumir carne, por ser esta uma prática impura, devendo o fiel tornar-se vegetariano.

Quanto às preces hindus, estas são denominadas mantras e devem ser dirigidas a todos os deuses, sendo o OM o mantra mais importante por representar Deus e os rituais de purificação e adoração, são feitos através da meditação e da oferenda aos seus deuses.

As orações aos espíritos de luz, já desencarnados, fazem parte do mandamento do amor, para ajudar na evolução e purificação.

 

CONCLUSÃO

 

O homem vive o seu dia-a-dia em meio a angústias, esperanças, medo, amor e anseios, ou seja, na mais diversa gama de sentimentos contraditórios.

Conforme abordado neste trabalho, independente do caminho que se toma a essência das religiões, qualquer uma delas, é a resposta para a vida e para esta após a morte.

Enfim, as respostas para o enigma da vida e do além, se obtém através do único caminho que proporciona os meios que determinam o tipo de "salvação" que o fiel obterá.

Esta salvação é a libertação dos tormentos passageiros para o cristão, da integração com os elementos da natureza do xintó, do ponto de chegada após uma existência provisória para o islamismo e judaísmo, e o encontro com a divindade interior do hinduísmo e budismo.

De qualquer forma, percebe-se que a busca pela felicidade, pelo conhecimento e por uma vida melhor, tanto aqui e agora como após a morte, é a finalidade da busca.

Hellern et al (2000,37) explicam:

Muitas questões existenciais são bastante gerais e surgem em todas as culturas. Embora nem sempre sejam expressas de maneira tão sucinta, elas formam a base de todas as religiões. Não existe nenhuma raça ou tribo de que haja registro que não tenha tido algum tipo de religião.

De qualquer forma, percebe-se que a busca pela felicidade, pelo conhecimento e por uma vida melhor, tanto aqui e agora como após a morte, é a finalidade da busca.

 

REFERÊNCIAS

 

HELLERN, V., GAARDER, J., NOTAKER, H. O Livro das Religiões. 7ª Edição, SP: Companhia das Letras, 2000.

MORIM, I. Revista Vida Missionária, Artigo: As Religiões do Mundo. Número 35 - Ano 12, SC: 2007.

[1] Aluno do Curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião.